Waldir Amaral

Recentemente, tive um grande privilégio, ao fazer contato, via telefone, com a carioca Maria Alice Amaral.

Gentil, educadíssima e muito atenciosa, passou-me detalhes preciosos de um ícone do Rádio brasileiro, pois foi casada com ele por muitos anos.

Amaral… o sobrenome é familiar. Sim, é ele mesmo, Waldir Dutra Amaral, “O Mais Categorizado Narrador Esportivo do Brasil”, que desde criança aprendi a ouvir (e amar sua forma de interpretar uma partida de futebol) através, principalmente, da Rádio Globo.

Poucos fãs e admiradores sabem que Waldir é goiano, mas nascido em Pilar de Goiás, interior do estado, ao contrário do que, erroneamente, alguns sites na internet informam como sendo na capital, Goiânia.

waldir_amaral_02Seus pais (Waldemar Dutra Amaral e Otília Dutra Amaral, ambos mineiros de Patos de Minas e Curvelo, respectivamente), deixaram Pilar de Goiás quando Waldir era adolescente e vieram para Campinas, bairro que deu origem à cidade de Goiânia, conhecido também como Campininha.

Waldir se dizia “goianeiro” (mistura de goiano com mineiro), e sua brilhante carreira na “latinha” começou aos 17 anos, na antiga Rádio Clube de Goiânia (Atual Rádio 730). No ano seguinte, ao completar a maioridade, pegou uma carona de avião até São Paulo, posteriormente chegando ao Rio de Janeiro em 1° de julho de 1945.

Tinha um objetivo na então capital do país: conhecer Oduvaldo Cozzi, o lendário “speaker” dos anos 40 e 50. Acabou contratado pela Rádio Tupi, como locutor comercial.

Sua primeira chance na locução esportiva foi na equipe de Jaime Moreira Filho, da Rádio Mauá, a “Emissora do Trabalhador” (por pertencer ao Ministério do Trabalho).

E o primeiro jogo narrado por Waldir foi pelos microfones da Rádio Continental, sob o comando de Gagliano Neto.

Passou também pelas emissoras Mayrink Veiga e Nacional, duas potências do seu tempo, mas foram os 23 anos na Rádio Globo, entre 1961 e 1983, que Waldir Amaral gravou para sempre o seu nome na galeria imortal dos mestres do microfone.

waldir_amaral_03Noite de primeiro de agosto de 1974, uma quarta-feira. 112.933 torcedores lotavam o Maracanã.

Na partida final do campeonato brasileiro, o meu Vascão, com gols de Ademir e Jorginho Carvoeiro, vencia seu primeiro título nacional, ao derrotar o poderoso Cruzeiro dos magistrais Dirceu Lopes, Nelinho, Palhinha e Wilson Piazza.

Na arquibancada, pelo radinho, ouvia pela primeira vez o meu conterrâneo narrar, e logo a conquista histórica! Quem fazia as reportagens de campo era ninguém menos que o “Garotinho” José Carlos Araújo.

Nunca mais deixei de acompanhar suas narrações, principalmente durante as décadas de 70 e 80, quando fez dobradinha com outro monstro sagrado: Jorge Curi.

Sempre inovador, incrementava as transmissões lançando frases e slogans que ficaram para sempre, como: “Indivíduo Competente, o Roberto Dinamite”, “Tem peixe na rede do fluzão, choveu na horta do vascão”, “Tem fumaça de gol”, “Desce a patota do Fogão”, “Calibra o centro, executa”, “O relógio maaaaaarca…”, e muitas outras.

Os principais jogadores ganhavam apelidos e definições que tornaram-se até mais conhecidos do que os próprios nomes. Roberto Dinamite era “A vocação do gol”; Zico, o “Galinho de Quintino”; Júnior, o “Capacete”; Rivelino, a “Patada atômica”; Valfrido, o “Espanador da Lua”; Andrada, o “Arqueiro do Rei”; Pelé, o “Deus dos estádios”, entre outros.

Na Rádio Globo, além de principal narrador, foi o Diretor Comercial e chefe do Departamento de Esportes, formando o quarteto mágico do rádio esportivo com Jorge Curi, João Saldanha e Mário Vianna.

Em quatro décadas de profissão, narrou nove Copas do Mundo e uma Olimpíada. Após deixar a Globo, ainda voltou a narrar na inesquecível Rádio Jornal do Brasil AM e na Tropical FM.

Aos 71 anos, de insuficiência coronariana, Waldir “trocava de freqüência”, partindo para a eternidade. Deixou três filhas: Ana Claudia, Ana Alice e Alessandra, e vários netos. Um deles, Pedro, hoje com 17 anos, quer seguir a brilhante carreira do avô.

Em Goiânia moram seus irmãos José Dutra Amaral, Celenita Amaral e Terezinha. Waldir fez escola no Rádio esportivo, e sua memória é preservada através dos registros sonoros aqui disponíveis no Show do Rádio.

Ah! Já ia me esquecendo, Waldir era botafoguense “de quatro costados”, como dizia o também saudoso – e alvinegro – Oswaldo Sargentelli, mas nunca demonstrou este amor no ar, em respeito às outras torcidas, que admirava e respeitava na mesma proporção.



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